Molhar a Palavra - Talma Leocárdio

 AO SOM DO PIOLHO

10:30
Pelos estudantes da Pós-graduação Artes de Contar Estórias do ISEC, Lisboa

*Participação graciosa

Talma Leocádio, Técnica Superior da Câmara Municipal de Cascais, na Biblioteca Municipal São Domingos de Rana, no espaço Infantil/Juvenil, mediadora do livro e da leitura. Formei-me em Educação Pré-escolar e professora do 1.o Ciclo do Ensino Básico, dei aulas num colégio durante quatro anos mas percebi que precisava de mais, para me encontrar.
 

Assim é a manhã dentro do qual eu entro, ir à praia ou passear nas dunas e sentir o cheiro das plantas que aí brotam, um que cheirinho de verão!
Cabelo de sal,
Pele de sol,
Alma de mar.
De sol e sal, eu sou.
Não gosto do frio nem da chuva.
Gosto de caminhar e sentir o cheiro da natureza, num trilho desconhecido ou de andar de moto e sentir o gosto da liberdade.
O cheiro de um bolo a sair do forno devolve-me a casa, e sim, a família é onde a nossa estória começa e o caminho da nossa vida.
Numa cozinha aprendi a experimentar e a criar. Criar e transformar. Receber os bons e verdadeiros amigos com um prato de gastronomia Alentejana.
Alentejo a minha terra de eleição, com os seus cantares e o afeto daquelas gentes que nos convidam a molhar a palavra.

Nós somos feitos de história, nós somos estórias, que contam como somos.
A BMSDR, é o meu porto de abrigo, lugar onde as mãos abrem capas, cheias de páginas e páginas, numa luta interior de encontrar as palavras certas, ilustrações, autores, contos e cantos como de um tesouro se tratasse, guardados na nossa memória, como quem guarda um pequeno mundo para brincar.
A infância é uma insignificância eu sei
E apenas por a ter perdido a amamos tanto.
                                                         "Ruy Belo"

Viajo muito em redor de mim. Estou a aprender a fazer a minha teia, ao ler, escutar, escrever, reescrever, contar e cantar. Um caminho que parece não ter fim mas todos os dias tenho um poder, o poder de me reinventar.
As estórias são a minha vida e nós somos estórias...
Sê paciente: espera
Sê paciente: espera
Que a palavra amadureça
E se desprenda como um fruto Ao passar o vento que a mereça.
                                                                       "Eugénio de andrade"

Tudo começa com o pensamento inquieto que desafia o corpo e as mãos, que vivem num desassossego frenético até encontrar, o que me faça aprender, a ouvir com os ouvidos da alma, o que me faça brincar ou sonhar, ao enfrentar o desconhecido, a prestar atenção aos sinais que nos rodeiam, com ou sem palavras, partilhar o que a estória nos diz.

E agora estou a aprender a contar estórias e assim (me) sigo... E assim, sim, posso dizer que estou feliz!

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